Artista e empreendedor inova transformando pneus em obras de arte
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No Dia do Artesão, celebrado em 19 de março, histórias de criatividade e persistência ajudam a mostrar como a arte pode transformar trajetórias. Em Dourados, um exemplo disso é o trabalho de Gabriel Arruda, de 27 anos, que começou a produzir peças ainda na infância e hoje acumula projetos impressionantes feitos a partir de papelão reciclado.
A relação com a arte iniciou cedo. Gabriel conta que tinha apenas sete anos quando começou a produzir seus primeiros trabalhos manuais durante atividades escolares. Na época, os alunos costumavam recortar figuras de revistas para colar em papelão, mas ele decidiu fazer diferente. Em vez de apenas colar imagens, teve a ideia de usar o próprio papelão para construir objetos.
Foi assim que surgiram suas primeiras criações, como carrinhos, bicicletinhas e outros pequenos modelos feitos de forma artesanal. Desde então, o material passou a fazer parte da rotina do jovem, que encontrou no papelão uma forma simples e acessível de transformar ideias em projetos.
Nos primeiros anos, a matéria-prima vinha principalmente de caixas descartadas por comércios da cidade. Gabriel costumava recolher o material que era deixado em frente às lojas. Com o passar do tempo, esse hábito diminuiu e ele passou a enfrentar dificuldades para conseguir papelão.
“Naquela época, o que a gente mais sofria era a questão de ter papelão, a 'matéria-prima'”, recorda. Para continuar produzindo, o artesão começou a comprar o material em recicladoras. Atualmente, algumas empresas também se tornaram parceiras e ajudam a fornecer o papelão necessário para as criações.
Com o passar dos anos, Gabriel foi aprimorando as técnicas, aperfeiçoando cortes, encaixes e acabamentos. O processo de criação começa sempre com um desenho detalhado da peça. “A gente faz todo o desenho, coloca as metragens, passa para o papelão, recorta e depois vem o processo de montagem das peças, que é a etapa final”, explica.
O reconhecimento do trabalho ganhou grande repercussão em 2018. Aos 19 anos, Gabriel construiu uma réplica em tamanho real da moto esportiva Kawasaki Ninja ZX-10R utilizando papelão. O projeto viralizou nas redes sociais e, segundo ele, ultrapassou 140 milhões de visualizações.
Na época, ele mantinha um canal no YouTube onde mostrava todo o processo de criação das réplicas.
O espaço funcionava como um arquivo de seus trabalhos e também começou a gerar renda por meio da monetização. No entanto, o canal acabou sendo perdido junto com todos os vídeos publicados.
“Eu perdi praticamente minha ferramenta de trabalho”, relembra. O canal existia havia nove anos e reunia cerca de 40 mil inscritos. A ideia era evoluir o conteúdo e começar a ensinar os seguidores a produzir peças semelhantes, mas o projeto precisou ser interrompido.
Mesmo diante da perda, Gabriel afirma que o episódio trouxe aprendizado. Agora que voltou a produzir conteúdo para um novo canal, ele pretende investir mais em armazenamento de arquivos e em materiais voltados para edição de vídeo, evitando perder novamente todo o trabalho produzido.
Ao longo dos anos, o artesão já produziu diversos projetos, entre eles carros, bicicletas, instrumentos musicais, prédios e esculturas em grande escala. Uma das obras mais impressionantes é a réplica da Torre Eiffel feita de papelão, que mede cerca de 7,40 metros de altura. A construção levou aproximadamente quatro meses para ser concluída.
Apesar da dimensão da torre, Gabriel afirma que o projeto mais complexo que já produziu foi justamente a réplica da moto esportiva. O trabalho exigiu muitos detalhes e levou um ano, três meses e quinze dias para ficar pronto.
Entre outras criações de destaque também está uma maquete do hotel Burj Al Arab Jumeirah, que mede cerca de 3,40 metros de altura. O artesão explica que também desenvolve modelos em miniatura e estruturas utilizadas em figurinos artísticos.
Além dos projetos pessoais, Gabriel também aceita encomendas, principalmente para produção de maquetes e peças específicas solicitadas por clientes.
Nos últimos anos, a arte também passou a abrir novas oportunidades. O artesão começou a participar de editais culturais para viabilizar projetos maiores. Em 2023, por exemplo, conseguiu aprovar um projeto na área da cultura e apresentou a réplica de um carro.
Em 2024, a réplica do carro do filme “De Volta para o Futuro” foi o tema principal de uma exposição de arte que reuniu turmas de várias escolas.
A mostra aproximou estudantes do processo criativo e apresentou ao público algumas das obras produzidas pelo artesão. Para este ano, a previsão é realizar a segunda edição da exposição.
Rompendo barreiras
Nem sempre o caminho foi fácil. Questionado se já foi chamado de “doido” por dedicar tempo aos projetos, Gabriel conta que sim. Segundo ele, até mesmo pessoas da própria família chegaram a questionar a escolha, afirmando que ele deveria buscar um trabalho tradicional, mesmo que as peças fossem produzidas apenas no tempo livre.
Apesar das críticas no início da trajetória, ele nunca deixou de lado a arte. Gabriel afirma que o trabalho também carrega um propósito ambiental, já que as esculturas mostram que o papelão pode ganhar novos usos em vez de ser tratado apenas como lixo.
A arte também tem um significado pessoal. Ele conta que, quando começou a produzir, não imaginava que viver da arte poderia se tornar um sonho seu, mas sim de seu irmão, que já faleceu e foi um dos maiores incentivadores no início da jornada.
Hoje, Gabriel segue conciliando a arte com outros projetos e o trabalho de gesseiro. Há cerca de um ano, iniciou o curso de engenharia civil, unindo a facilidade para desenhar com a paixão por construir. Aos poucos, ele também tem migrado dos projetos feitos no papel para programas de computador.
Mesmo reconhecendo que viver da arte ainda é um desafio no Brasil, especialmente em Mato Grosso do Sul, o artesão mantém o objetivo de transformar a produção artística em sua principal fonte de renda.
Entre papelões, desenhos e grandes estruturas, Gabriel Arruda segue mostrando que criatividade, persistência e imaginação podem transformar materiais simples em obras de arte.
Para acessar o novo canal do YouTube do artesão Gabriel Arruda, clique no link, ou acompanhe o trabalho pelo Instagram.
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