Sem dentista de plantão: o que fazer se quebrar um dente no fim de semana ou feriadão
Quebrar um dente no feriado costuma acontecer do jeito mais comum e mais frustrante possível: uma mordida desa...
Por Dr. Paulo Zahr, cirurgião-dentista e fundador da OdontoCompany, maior rede de clínicas odontológicas do mundo
Neste mês em que celebramos o Dia Mundial da Saúde há um lema que nos convida à reflexão: o acesso à saúde como um direito fundamental. No entanto, ao olharmos para o panorama global, percebemos que um pilar essencial dessa estrutura ainda é tratado como um detalhe periférico, a saúde bucal. É hora de romper com o "apartheid biológico" que separa a boca do restante do corpo humano. A ciência e a realidade clínica são claras: não existe saúde sistêmica sem uma boca saudável.
Como fundador de uma rede que atende milhões de brasileiros, vejo, diariamente, que a negligência com o cuidado dental não é apenas uma questão estética, é um gatilho para crises de saúde pública. O Global Oral Health Status Report, da OMS, em 2022 já nos alertava que as doenças bucais afetam cerca de 3,5 bilhões de pessoas. No Brasil, os dados da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal, feita em 2023, reforçam que ainda temos um longo caminho para erradicar a dor e a perda dentária evitável. Estudos recentes, como os compilados na Lancet Oral Health Series, em 2023, com atualizações de 2024, consolidam a boca como um hub de indicadores sistêmicos.
A periodontite, por exemplo, não é apenas uma inflamação na gengiva. Ela é uma doença inflamatória crônica que despeja mediadores químicos na corrente sanguínea, agravando o diabetes e aumentando o risco de eventos cardiovasculares. Dados do Global Burden of Disease entre 2021 e 2025 mostram um aumento de mais de 70% nos casos de periodontite severa nas últimas décadas. Além disso, novas fronteiras da ciência agora ligam a saúde bucal precária até mesmo ao declínio cognitivo e doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.
Para além das bactérias, precisamos falar de função. O sistema estomatognático, que engloba dentes, músculos e bases ósseas, é o primeiro estágio da nossa nutrição e da nossa respiração. Dentes mal posicionados ou a ausência deles comprometem a mastigação, levando a distúrbios digestivos e carências nutricionais, especialmente em idosos. No desenvolvimento infantil, alterações no crescimento maxilar podem causar distúrbios do sono e dificuldades respiratórias que impactam o aprendizado.
Minha missão sempre foi tornar o cuidado odontológico acessível. A digitalização e o uso de inteligência artificial na odontologia, temas que discutimos intensamente nos últimos dois anos, não devem servir apenas para o luxo, mas para otimizar diagnósticos e permitir acesso a tratamentos preventivos em larga escala.
Cuidar da boca também é uma estratégia de longevidade, e investir em prevenção é evitar internações hospitalares amanhã. Convido você, paciente, profissional ou gestor, a mudar a perspectiva. Vamos tratar a saúde de forma integral, respeitando a complexidade biológica do corpo. Afinal, uma vida saudável começa, literalmente, pelo sorriso.
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