Jovem é aprovado em 1º lugar em medicina da USP não usou cadernos, só adesivos na parede
Aos 17 anos, Gabriel Mattucci foi duplamente aprovado na Universidade de São Paulo (USP), no curso mais concor...
Luiz apresentou fotos que comprovam suas características físicas ao longo da vida. (Foto: Arquivo Pessoal)
A trajetória de um jovem que viu na universidade a chance de mudar de vida acabou se transformando em um longo e doloroso embate contra o sistema. Mesmo aprovado por meio das políticas de ação afirmativa, ele teve sua autodeclaração racial negada por comissões avaliadoras e, posteriormente, pela Justiça, reacendendo discussões sobre identidade, critérios raciais e os limites da heteroidentificação no Brasil.
O estudante, que sempre se reconheceu como pardo, cursou toda a educação básica em escola pública e se inscreveu no processo seletivo utilizando o sistema de cotas. O desempenho foi suficiente para garantir uma vaga no curso desejado, mas a conquista durou pouco. Durante a etapa de verificação racial, a comissão responsável indeferiu sua inscrição, alegando que suas características físicas não se enquadrariam nos critérios exigidos.
Avaliação contestada
Segundo o parecer da banca, aspectos como o tom de pele, o tipo de cabelo e outros traços fenotípicos não sustentariam a condição racial declarada pelo candidato. A decisão levou à perda imediata da vaga, mesmo após a aprovação no processo seletivo.
Inconformado, o jovem recorreu administrativamente, passando por mais de uma comissão de avaliação, mas teve o pedido negado em todas as tentativas. Diante disso, decidiu buscar amparo judicial, apresentando documentos, registros e fotografias que, segundo ele, demonstram como sempre foi identificado socialmente.
Negativa judicial e impacto emocional
A ação foi analisada pela Justiça Federal, que optou por manter o entendimento das bancas de heteroidentificação, rejeitando o pedido de reversão. A decisão agravou o sentimento de frustração e exclusão relatado pelo estudante, que afirma ter se sentido invalidado em sua própria identidade.
Em desabafos públicos, ele relata que a situação foi emocionalmente devastadora. “Não foi só a perda de uma vaga. Foi como se dissessem que eu não sou quem sempre fui”, afirmou. O jovem também destacou que sua condição social e o histórico em escola pública tornaram a situação ainda mais dolorosa.
Repercussão e questionamentos
O caso ganhou visibilidade nas redes sociais e provocou uma onda de debates. Usuários passaram a questionar a subjetividade dos critérios adotados pelas comissões, especialmente em um país marcado pela miscigenação e por diferentes formas de pertencimento racial.
Relatos semelhantes começaram a surgir, com outros candidatos afirmando ter passado por situações parecidas — alguns, inclusive, apontando decisões contraditórias dentro do mesmo processo seletivo.
Cotas raciais e heteroidentificação
As políticas de cotas raciais foram instituídas para ampliar o acesso de grupos historicamente excluídos ao ensino superior. Para coibir fraudes, as universidades adotaram o mecanismo de heteroidentificação, que analisa características físicas do candidato.
No entanto, especialistas alertam que esse modelo pode gerar injustiças, especialmente quando ignora fatores sociais, históricos e culturais que também compõem a identidade racial no Brasil.
Uma luta que ultrapassa a sala de aula
Após as negativas, o jovem tentou concorrer novamente pelas vagas de ampla concorrência, mas afirma que o processo o deixou abalado psicologicamente. Para ele, a batalha não é apenas por um diploma, mas por reconhecimento e dignidade.
O episódio levanta uma reflexão importante: quem define a identidade racial de um indivíduo? E até que ponto critérios visuais conseguem dar conta da complexidade racial brasileira?
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